A noite do juízo
Um grupo de pessoas preso numa casa com um assassino. Ele conhece o interior de cada um e expõe de forma brutal.
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A robustez de Roy agora acusa insegurança. Suas narinas abertas e olhos arregalados combinam com a boca de dentes cerrados. Pega sua espingarda e corre para a janela. Começa agora a ameaçar aos gritos o assassino. Nada responde da mata escura além do comum. O silêncio seguiu os gritos que ecoavam nas mentes presentes.
Agora Roy dependia da arma e estava com medo. O medo fez Vivian reclamar de novo da rede indisponível e choramingava da carga baixa; fez Norman ajeitar os óculos, cruzar os braços e bater seu pé inquieto; Betty, aliviar a tensão do grupo indo preparar biscoitos.
Betty, na cozinha acende forno sujo para aquecer e logo procura ingredientes. Abre armários; se agacha pelas prateleiras e, na ponta dos pés, tateia o que não vê. Vasculhando as gavetas, com sua mãozinha engilhada, acha um celular com sinal e carga.
Surpresa, agarrou o celular rápido contra o peito e se esgueirou para ver se ainda estava só. Gritou "tem algum celíaco aí?! Não tem como chamar ambulância, hein!!!". Resolveu que não podia confiar o sigilo de sua ligação a cozinha e entrou na câmara de cura.
Betty ligou para sua prima Kelly e começaram a falar da vida de todos. Quando a conversa ficou tediosa, Betty disse que Roy só sabia atirar porque nunca passou nos concursos de policial; que Vivian era a mais inteligente, pois não precisava estudar, apenas ser bonita; que Norman era infantil, apesar de parecer bem resolvido. Betty ouve um barulho surgindo por trás das linguiças suspensas e imaginou que era algum animal faminto. Dessa vez não pediu pausa para Kelly, mas foi verificar entrando pelas carnes. Conseguiu ver as caixas de madeira se mexendo e se aproximou com passos silenciosos. Já estava desconectada da conversa e não piscava. De uma vez levantou a caixa e, vapo! Um bote de jiboia quase pega seu rosto a fazendo cair de bunda. O animal enrolava um gato asfixiado já todo quebrado.
Betty tampa a boca depois do grito que deu e, de joelhos alcançou o celular para contar a Kelly sobre o susto. Seu celular agora estava sem sinal e, como última tentativa antes de retornar a cozinha, reiniciou o aparelho.
Ao apagar a tela vê o seu reflexo no aparelho e, ao checar seu brinco, o reflexo revela, ao seu lado, a máscara necrósica do assassino.
Os restos no forno levantam cheiro de queimado e fumaça, logo todos correm até a cozinha tossindo. Chamam por Betty até que Roy dá um "aai" tremido, quase gritado. Todos correm e o encontram ao chão olhando para o corpo suspenso de Betty. A lua iluminava pela veneziana o corpo ainda balançando, com dois grandes ganchos entrando pela boca e saindo um por cada olho. Sua mandíbula totalmente deslocada sujava a roupa e pingava sangue. Entre Roy e o corpo estava o gato morto enrolado na língua e nas vísceras de Betty. A cobra saiu da boca do corpo. Roy vomitou; Norman disse "gravata colombiana" e escorregou na parede de uma vez ao chão; Vivian desmaiou.
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